kazaada

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13 Março 2007

Game over

Estou velha. Não suporto mais blogs. Se tiver algo a dizer - ou compartilhar - não vai ser aqui.

29 Dezembro 2006

Planos para 2007

Em 2007 eu quero não me importar com a existência de fãs xiitas de coisas chatas como Raul Seixas ou Elis Regina. Vou continuar trabalhando em redação porque, afinal de contas, meu nome é Fabrina e sou dependente de merda generalizada. Mas em julho meu filho terá um mês.

Ainda não sei se é neném ou nenéia. Mas aguardo ansiosamente por cada uma das dobrinhas branquelas que virão. Pelo cabelo fuento cheio de cachos judeus que herdará do pai. Em 2007 não vou me estressar com cada centavo da F.O.R.T.U.N.A. que estou gastanto num pré-natal para uma gravidez de risco. Nem vou me preocupar se há risco ou não porque tudo o que me importa é que a creonça está sendo forte e assando seus pãezinhos na minha barriga. Não quero me preocupar em emagrecer.

Durante anos lutei contra a balança, hormônios e um saco de areia de 120 kilos para tentar AMENIZAR o corpo de merda que havia herdado. Quando a calça 40 já era minha realidade passei a medir minha barriga no espelho, esperando ansiosamente que alguém me chamasse de barriguda. Desejo ansiosamente por uma barriga imensa, indecente e pesada. Uma barriga com um neném dentro. Uma barriga que mostre aos médicos que eu posso chorar por coisas felizes e não porque "no seu caso, engravidar é um milagre. Adote". E para mostrar que eles erraram quando me disseram gaste R$ 15 mil em tratamentos e tente daqui a cinco anos, fechei minha casa e resolvi tudo me largando nos braços de Iemanjá. E quando aquela onda em Salvador me tirou sangue do nariz, eu soube que, de alguma forma, ela tinha meu sangue. E me receberia entre as mães. Entre ela.

No ano que vem, vou quitar dívidas e comprar meu carro. Veja só, aprender a dirigir (coisa que nunca quis) para cantar pneu na porta do colégio. Vou comprar um terreno e construir uma emensa casa vermelha com portas gigantes em azul royal, afinal nunca me importei com a escala de cores e ter uma casa freak sempre foi meu sonho. E quando o neném fizer dois anos, vou dar a ele um casal de weimaraners. Para que ele entenda o que é um cachorro de verdade. Não aquelas merdinhas que os amiguinhos deles têm.

E se tudo der certo, em 2007 vou mimar tanto a creonça que em 2008 todos os meus sonhos serão concretizados apenas no bom senso. Terei bom senso para não gastar R$ 5675656 reais em máquinas de 1 milhão de MAGAPICLES - como dizia um antigo editor - só para pegar detalhes. Não estou ansiosa pelo ano que vem, mas para concretizar a pessoa que me tornei. Até hoje, até ver meu filho no ultrasom pela primeira vez, tudo o que fiz foi um mero rascunho de vida.

27 Dezembro 2006

E la nave va

Passou a mudança, passou a semana de molho na montanha, o recomeço plano e o Natal. Agora vem o ano novo. Coisas aconteceram e continuam a acontecer. Escrever ainda me parece o melhor jeito de exercitar a compreensão. Antes dessa mudança, voltar poderia soar como um ato de fracasso ou uma medida que exigisse por demais explicações. Adoro errar.
Voltar foi prazeroso. Ser bem recebida, bem tratada. Abraços e perguntas sinceras. Calmaria para existir. Ir me soou como uma coisa estranha. O que eu queria? Repetir todas aquelas coisas que sempre tive morando em cidades grandes? Balela. Ir nunca foi um problema para mim. Viajar nunca me foi doloroso ou difícil ou caro. Nunca devi nada. Nem ao cartão nem a mim mesmo. Ficar era o desafio. Admitir que eu gosto de estar em casa ás 17h30 para cuidar do meu jardim - com flores diversas e pimentas várias -, escolher a cor do lençol da King Size ou assistir Cartoon enquanto tomo sorvete.
Essas coisas eu não tive. Tive 17 escolas até os 15 anos. Mais de 26 trechos na TAM e outros tantos quilômetros na Varig. Tive madrugadas em MS, manhãs no Distrito Federal e almoços na Bahia. Atravessei o país de carro ouvindo Damien Rice - anos antes da Globo descobrir - tomando vinho e comendo queijo de nózinho. O que eu queria? Orra, meu. Eu não queria. Quero parar de viver na ponta do pé.
Quero o pé no chão. Quero um amor descalço e um filho fuento. Economias que viram carros e casas. Viagens com crianças e lembranças úteis. Não tenho muitas lembranças cosmopolitas. Melhor que tudo isso é o silêncio. Descobrir o silêncio me foi a coisa mais cara nesse momento. Coisinhas pequenas que me são valorosas. Coisas grandes também. Afinal, pagar cozinhas planejadas sempre tomam tempo e sanidade.
Muitas coisas mudaram nesse tempo. Perdi aquela necessidade absurda de forjar olheiras com lápis. De escrever por escrever. Mas assumir que escrever está inteiramente ligado à necessidade. E confesso que não ter acesso aos livros que produzi nos próximos seis meses me alivia. Um distanciamento pode melhorar ainda mais a edição.
Ah, distanciamento idem deste blog. Escrever em primeira pessoa é sempre bacana, mas existem outras coisas. A pessoa tem que pagar a cozinha planejada, a king size, o Picasso, tem que ouvir música, ver filme, tomar sorvete, aguar a pimenta, trepar, preparar o quarto do neném. Coisa de gente normal. É bacana ser normal. Se soubesse antes que era assim, tinha jogado fora aquele porco empalhado que carregava na mochila.

11 Novembro 2006

Blues for mama

Trinta páginas em quatro dias e duas semanas me separam da nova mudança. Nesse tempo, escrevi outras 61 e matei um trabalho em picadinho. Sinto-me melhor e com fome. Constantemente com fome. Aproveito para pedir desculpas á todas as mães que enjoaram e tiveram azia na gravidez. Se a sua estiver viva, seja gentil com ela. Não é fácil. Eu fico me perguntando o que essa criança vai fazer durante nove meses dentro de mim. Aposto que as opções são poucas. Não me considero um parque de diversões. Exceto em momentos nos quais o marido sai gritando que vai me alimentar com substâncias ilegais e de origem duvidosa. Amo. Música baixa, lendo novos autores novos e vendo Harry Potter. Esperando cuidadosamente e cautelosamente o tempo se aproximar.

28 Outubro 2006

O umbigo

Hoje faz cinco meses que nos mudamos para Salvador. Passei esse período praticamente em silêncio. Foram poucas as palavras trocadas com outras pessoas. Na maioria das vezes um pedido de informação ou alguma compra. Tive apenas UMA conversa de mais de cinco minutos com outra pessoa que não fosse o Lucas. Terminei de escrever um livro e comecei outros tantos. Voltei a ler. Engolida, não lia há dois anos.

Seria essa então a parte prática? Não. É a parte prática uma coisa que fugi quando disse adeus á minha terapeuta. "Não tenho condições de olhar para mim nesse momento. Então paro a terapia por aqui". Dito isso, fui trabalhar e a noite, como de costume, me fechei numa roda imensa de amigos e cervejas. Pessoas, risos, telefonemas e outras coisas que se repetiam sempre. Tive uma vida social movimentada e junkie. Tenho mais amigos que uma pessoa normal pode ter. Sempre estranhei o fato de ser extremamente popular. Todos queriam sentar-se na minha mesa. Sentavam-se. O problema é que eu sempre fui amiga dos meus amigos, mas sempre tomei chuva sozinha.

Nunca fui boa de escolha e hoje vejo que são cinco ou - no máximo seis - aqueles que dariam voadoras por mim. O que eu fiz? Mandei e-mails duros, não mais liguei, não respondi a cartas, telefonemas ou sinais de fumaça. Deletei do meu Orkut e do meu MSN pessoas indesejáveis. Na maioria das vezes, o dito-cujo foi avisado. Alguns ainda tentaram argumentar, mas BAH! parece aquela coisa de namorada adolescente chata e obcecada.

O que vou fazer sem você?
Seja promíscua - responde Chuck Norris.


O ser humano é essencialmente egoísta. Está sempre olhando para aquele queijinho branco que se acumula em seu umbiguinho sujo. Enquanto o amigo está se descabelando com um problema sério, lá está ele, enfiando o dedo indicador o mais fundo possível na meleca. No meio de sua dor mais intensa, tudo o que o cara vê é um dedo sujo indo em direção ao nariz do suposto ouvinte que delira em silêncio com aquele cheiro. São poucas as pessoas que conseguem parar e entender o outro. Ignorar sua sujeira para fazer parte do entendimento do movimento interno de outra pessoa é um dom.

Quando saí da sala da minha terapeuta, deixei muita coisa para trás. Assumi para mim que era covarde e que fingia ser bacana e cool cercada de gente para garantir que as minhas dores fossem delicadamente ignoradas diante de cada sujeira. Respirei fundo e decidi ver qual era a minha. Resolvi sair de todo furdunço que vivia. Fui para Três Lagoas e deixei família e amigos saudosos. Eles que se fodam, eu quero a verdade.

Limitei meu convívio social o máximo possível. Havia um ou outro intruso que devido à minha dificuldade de impor limites continuava freqüentando minha casa. Havia gente que me queria em rodinhas e eu nunca tive coragem de dizer que uma das poucas coisas que me alegravam a sair de mim era a Casa de Dona Eleuza e Seu Leopoldo. Eram pessoas sem sujeira no umbigo. O resto, na maioria das vezes, eram pessoas interessadas em discutir sobre isso ou sobre aquilo. Que me interessa Virginia Woolf? Que me interessa Elis ou essa ou outra cantora? Se o Lucas precisasse conviver com pessoas ele que tivesse esse momento. O meu era outro. Minha única preocupação era que ele não andasse com determinadas estirpes. Nunca soube reagir à escrotidão com outra coisa que não fosse raiva e desprezo.

Em Salvador cheguei exatamente onde precisava. No silêncio. Descobri-me ainda mais sensata que o normal e pude treinar meu desapego ás coisas e às pessoas. De que me serve alguém que é - num primeiro momento - extremamente incapaz de fazer um comentário saudável? Para que manter pessoas que jamais se importaram comigo em Três Lagoas mas que agora faziam fila para me ver em Salvador?

Dessas andanças fui descobrindo gente antiga com sabor de nova. Gente de Campo Grande e SP que não vejo há tempos, mas que entenderiam exatamente esses sentimentos. E, acima de tudo, não fariam comentários torpes sobre minha decisão de me ausentar do convívio social ou de me abster de uma profissão que é uma máquina de moer carne. Ouvi muitas coisas nesse período. Legais ou toscas vindas de gente de todo tipo. Não consegui eliminar o ego, mas consegui eliminar o mal estar entre eles. Isso é um grande avanço. Consegui tirar gente que podia ATÉ me trazer alguma alegria, mas que na avaliação custo benefício não funcionava.

Não preciso de gente dizendo que é burrice largar a redação, que viver de literatura é um erro, que devo me aprofundar no que escrevo, que seria capaz de enjoar de mim mesma ou que sou extremamente conservadora. Fodam-se as pessoas. Na maioria das vezes, enquanto tento argumentar minhas coisas, lá estão elas, com seus umbigos sujos. Indignos? Não sei. Não me interessa a vida que levam. Como levam ou quais são os tapas que lhe doem. O que elas me dizem hoje já escutei antes de outras pessoas que hoje dizem coisas contrárias. Se há alguma vantagem no ser humano é o direito de se contradizer. O resto é bullshit.

No mais, a vida continua calmamente. Os trabalhos vão bem obrigado. Há possibilidade de mudanças. Continuo escrevendo e pensando em livros com fúria. O casamento continua lindo. E se o blog tá fraco, é porque a pessoa aqui tem uma vida off line. Tem que trabalhar, cuidar da casa, trepar, fazer cafuné no marido, escrever, assar lasanha e cuidar do primeiro filho que está completando três meses na minha barriga. Se tem uma coisa que fiz bem foi limpar muito bem minha vida. Só tenho cousas boas para meu filho. A melhor delas é uma mãe íntegra e de umbigo limpo.

24 Outubro 2006

Ambições

Lula quer ser Cristo, Geraldo quer ser JK e eu quero ser Chuck Norris.

21 Outubro 2006

Vício a mais

O que o trabalho, né minha gente? Acabando com o que sobrou dos tendões em trabalhos remunerados. No mundo real e sem KY o aluguel urra. A faxina, no entanto, nunca pára. Silenciosa, sou aquela tatuada bebendo cerveja no beco.